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© 2025 Sofia Arez

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The drift of the silent flight of seeds

Ana Luísa Soares e César Garcia

2026

The drift of the silent flight of seeds

Each seed contains within it an evolutionary history, a survival strategy, and a potential to transform the landscape. In this exhibition of 30 seed drawings, Sofia Arez invites us to observe shapes, structures and details that, in nature, fulfil vital yet almost always imperceptible functions.

The focus of this exhibition lies particularly on seeds that travel through the air—“flying” seeds—whose shape, lightness, and balance have been shaped over time to take advantage of wind as an agent of dispersal. Flight, in this context, is not momentum but drift: a subtle movement guided by air currents and the delicate relationship between weight, shape, and resistance. Through a poetic language in which science and art intertwine, this exhibition makes visible this silent challenge of nature. Drawing emerges as an instrument of knowledge, capable of slowing the gaze, isolating the object, and revealing structural qualities that escape casual observation.

Plants may present ovules not enclosed within ovaries, giving rise to naked seeds (gymnosperms), or ovules protected within ovaries, producing fruits that contain the seeds (angiosperms). In both cases, seeds possess adaptations such as membranous wings, filaments, enlarged surfaces, or helical structures. These characteristics are not mere formal accidents, but ingenious dispersal solutions that allow the seed to glide, spin, or drift slowly, increasing the distance travelled and the likelihood of germination away from the “mother plant.”

Plants produce seeds as a strategy for reproduction and dispersal, ensuring the continuity of species. These seeds may take very diverse forms: small and light, such as those of the maritime pine (Pinus pinaster), shaped for wind transport; larger and heavier, such as those of the araucaria; equipped with winged appendages, like those of the plane tree; or enclosed within fruits, such as those of the golden rain tree (Koelreuteria paniculata). Each morphological characteristic is closely linked to its mode of dispersal—by wind, water, animals, or gravity—revealing the extraordinary adaptive creativity of nature, which in this exhibition unfolds as an inspiration between science and art.

Seeds are the basis of plant life and play an essential role in the dynamics of ecosystems through seed banks in the soil in different habitats. In addition to ensuring the reproduction and dispersal of species, they are a source of food for countless organisms and contribute to ecological balance. However, many species are now threatened by habitat loss, climate change and anthropogenic action (fires, pollution, etc.).

In this context, seed conservation—particularly through seed banks—has become increasingly important. Preserving seeds means preserving genetic diversity, safeguarding the possibility of reintroducing species in the future. A seed bank stores plant material for conservation and research, requiring rigorous procedures: collection at the right moment of maturity, selection of healthy seeds, cleaning, proper drying, and storage under controlled conditions of temperature and humidity, among other specific requirements. Some species possess recalcitrant seeds that do not tolerate intense drying, making their conservation particularly demanding.

By bringing science and art together, this exhibition dedicated to the drift of seeds invites us to slow down our gaze and to observe and listen to the natural world, revealing how a seed—so small and seemingly fragile—contains within it the silent force capable of regenerating natural ecosystems, which may include specimens that reach several tons in weight. Seeds remind us that the future often begins discreetly, carried by the wind, stored in a light shell, and waiting for the ideal conditions to germinate.

Thank you to Sofia Arez for this extraordinary exhibition and to all those who contributed to making it possible.

 

A deriva do voo silencioso das sementes

Cada semente encerra em si uma história evolutiva, uma estratégia de sobrevivência e um potencial de transformação da paisagem. Nesta exposição de 30 desenhos de sementes, Sofia Arez convida-nos a observar formas, estruturas e detalhes que, na natureza, cumprem funções vitais e quase sempre impercetíveis.

O foco desta exposição recai, em particular, sobre as sementes que viajam pelo ar, as sementes “voadoras”, cuja forma, leveza e equilíbrio foram moldados ao longo do tempo para tirar partido do vento como agente de dispersão. O voo, neste contexto, não é impulso, mas deriva num movimento subtil, guiado pelas correntes de ar e da relação delicada entre peso, forma e resistência. Esta exposição, numa linguagem poética em que se entrelaça a ciência e a arte, torna visível este desafio silencioso da natureza. O desenho surge como instrumento de conhecimento, capaz de desacelerar o olhar, isolar o objeto e revelar qualidades estruturais que escapam à observação casual.

As plantas podem apresentar óvulos não encerrados em ovários, originando sementes nuas (gimnospérmicas), ou óvulos protegidos em ovários, dando origem a frutos que incluem as sementes (angiospérmicas). Em ambos os casos, as sementes possuem adaptações como asas membranosas, filamentos, superfícies alargadas ou estruturas helicoidais. Estas características não são meros acidentes formais, mas antes soluções engenhosas de dispersão que permitem à semente planar, rodopiar ou derivar lentamente, aumentando a distância percorrida e as probabilidades de germinação longe da «planta-mãe».

As plantas produzem sementes como estratégia de reprodução e dispersão, assegurando a continuidade das espécies. Estas podem assumir formas muito diversas: pequenas e leves, como as do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), moldadas para o transporte pelo vento; maiores e mais pesadas, como as da araucária; providas de apêndices alares, como as do plátano; ou envoltas em frutos, como as da árvore-da-chuva-dourada (Koelreuteria paniculata). Cada característica morfológica está intimamente ligada ao seu modo de dispersão, que pode ser pelo vento, pela água, pelos animais ou pela gravidade, o que revela a extraordinária criatividade adaptativa da natureza, que nesta exposição se revela numa inspiração entre a ciência e a arte.

As sementes são a base da vida das plantas e desempenham um papel essencial na dinâmica dos ecossistemas através dos bancos de sementes no solo nos diferentes habitats. Para além de garantirem a reprodução e a dispersão das espécies, constituem uma fonte de alimento para inúmeros organismos e contribuem para o equilíbrio ecológico. No entanto, muitas espécies encontram-se hoje ameaçadas pela perda de habitat, pelas alterações climáticas e pela ação antropogénica (incêndios, poluição, etc.).

Neste contexto, a conservação de sementes, nomeadamente através de bancos de sementes, assume uma importância crescente. Preservar sementes é preservar diversidade genética, salvaguardando a possibilidade de reintrodução de espécies no futuro. Um banco de sementes armazena material vegetal para conservação e investigação, exigindo procedimentos rigorosos: recolha no momento certo de maturação, seleção de sementes saudáveis, limpeza, secagem adequada e armazenamento em condições controladas de temperatura e humidade, entre outras particularidades. Algumas espécies, possuem sementes recalcitrantes, não tolerando a secagem intensa, o que torna a sua conservação particularmente exigente.

Ao cruzar ciência e arte, esta exposição dedicada à deriva das sementes convida a desacelerar o olhar e a observar e escutar o mundo natural, revelando como uma semente, tão pequena e aparentemente frágil, guarda em si a força silenciosa capaz de regenerar ecossistemas naturais, podendo ser constituídos por espécimes que atingem várias toneladas. As sementes lembram-nos que o futuro começa muitas vezes de forma discreta, transportado pelo vento, guardado num invólucro leve, à espera das condições ideais para germinar.

Obrigada a Sofia Arez por esta extraordinária exposição e a todos os que contribuíram para a sua realização.

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The drift of the silent flight of seeds

Ana Luísa Soares e César Garcia

2026

The drift of the silent flight of seeds

Each seed contains within it an evolutionary history, a survival strategy, and a potential to transform the landscape. In this exhibition of 30 seed drawings, Sofia Arez invites us to observe shapes, structures and details that, in nature, fulfil vital yet almost always imperceptible functions.

The focus of this exhibition lies particularly on seeds that travel through the air—“flying” seeds—whose shape, lightness, and balance have been shaped over time to take advantage of wind as an agent of dispersal. Flight, in this context, is not momentum but drift: a subtle movement guided by air currents and the delicate relationship between weight, shape, and resistance. Through a poetic language in which science and art intertwine, this exhibition makes visible this silent challenge of nature. Drawing emerges as an instrument of knowledge, capable of slowing the gaze, isolating the object, and revealing structural qualities that escape casual observation.

Plants may present ovules not enclosed within ovaries, giving rise to naked seeds (gymnosperms), or ovules protected within ovaries, producing fruits that contain the seeds (angiosperms). In both cases, seeds possess adaptations such as membranous wings, filaments, enlarged surfaces, or helical structures. These characteristics are not mere formal accidents, but ingenious dispersal solutions that allow the seed to glide, spin, or drift slowly, increasing the distance travelled and the likelihood of germination away from the “mother plant.”

Plants produce seeds as a strategy for reproduction and dispersal, ensuring the continuity of species. These seeds may take very diverse forms: small and light, such as those of the maritime pine (Pinus pinaster), shaped for wind transport; larger and heavier, such as those of the araucaria; equipped with winged appendages, like those of the plane tree; or enclosed within fruits, such as those of the golden rain tree (Koelreuteria paniculata). Each morphological characteristic is closely linked to its mode of dispersal—by wind, water, animals, or gravity—revealing the extraordinary adaptive creativity of nature, which in this exhibition unfolds as an inspiration between science and art.

Seeds are the basis of plant life and play an essential role in the dynamics of ecosystems through seed banks in the soil in different habitats. In addition to ensuring the reproduction and dispersal of species, they are a source of food for countless organisms and contribute to ecological balance. However, many species are now threatened by habitat loss, climate change and anthropogenic action (fires, pollution, etc.).

In this context, seed conservation—particularly through seed banks—has become increasingly important. Preserving seeds means preserving genetic diversity, safeguarding the possibility of reintroducing species in the future. A seed bank stores plant material for conservation and research, requiring rigorous procedures: collection at the right moment of maturity, selection of healthy seeds, cleaning, proper drying, and storage under controlled conditions of temperature and humidity, among other specific requirements. Some species possess recalcitrant seeds that do not tolerate intense drying, making their conservation particularly demanding.

By bringing science and art together, this exhibition dedicated to the drift of seeds invites us to slow down our gaze and to observe and listen to the natural world, revealing how a seed—so small and seemingly fragile—contains within it the silent force capable of regenerating natural ecosystems, which may include specimens that reach several tons in weight. Seeds remind us that the future often begins discreetly, carried by the wind, stored in a light shell, and waiting for the ideal conditions to germinate.

Thank you to Sofia Arez for this extraordinary exhibition and to all those who contributed to making it possible.

 

A deriva do voo silencioso das sementes

Cada semente encerra em si uma história evolutiva, uma estratégia de sobrevivência e um potencial de transformação da paisagem. Nesta exposição de 30 desenhos de sementes, Sofia Arez convida-nos a observar formas, estruturas e detalhes que, na natureza, cumprem funções vitais e quase sempre impercetíveis.

O foco desta exposição recai, em particular, sobre as sementes que viajam pelo ar, as sementes “voadoras”, cuja forma, leveza e equilíbrio foram moldados ao longo do tempo para tirar partido do vento como agente de dispersão. O voo, neste contexto, não é impulso, mas deriva num movimento subtil, guiado pelas correntes de ar e da relação delicada entre peso, forma e resistência. Esta exposição, numa linguagem poética em que se entrelaça a ciência e a arte, torna visível este desafio silencioso da natureza. O desenho surge como instrumento de conhecimento, capaz de desacelerar o olhar, isolar o objeto e revelar qualidades estruturais que escapam à observação casual.

As plantas podem apresentar óvulos não encerrados em ovários, originando sementes nuas (gimnospérmicas), ou óvulos protegidos em ovários, dando origem a frutos que incluem as sementes (angiospérmicas). Em ambos os casos, as sementes possuem adaptações como asas membranosas, filamentos, superfícies alargadas ou estruturas helicoidais. Estas características não são meros acidentes formais, mas antes soluções engenhosas de dispersão que permitem à semente planar, rodopiar ou derivar lentamente, aumentando a distância percorrida e as probabilidades de germinação longe da «planta-mãe».

As plantas produzem sementes como estratégia de reprodução e dispersão, assegurando a continuidade das espécies. Estas podem assumir formas muito diversas: pequenas e leves, como as do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), moldadas para o transporte pelo vento; maiores e mais pesadas, como as da araucária; providas de apêndices alares, como as do plátano; ou envoltas em frutos, como as da árvore-da-chuva-dourada (Koelreuteria paniculata). Cada característica morfológica está intimamente ligada ao seu modo de dispersão, que pode ser pelo vento, pela água, pelos animais ou pela gravidade, o que revela a extraordinária criatividade adaptativa da natureza, que nesta exposição se revela numa inspiração entre a ciência e a arte.

As sementes são a base da vida das plantas e desempenham um papel essencial na dinâmica dos ecossistemas através dos bancos de sementes no solo nos diferentes habitats. Para além de garantirem a reprodução e a dispersão das espécies, constituem uma fonte de alimento para inúmeros organismos e contribuem para o equilíbrio ecológico. No entanto, muitas espécies encontram-se hoje ameaçadas pela perda de habitat, pelas alterações climáticas e pela ação antropogénica (incêndios, poluição, etc.).

Neste contexto, a conservação de sementes, nomeadamente através de bancos de sementes, assume uma importância crescente. Preservar sementes é preservar diversidade genética, salvaguardando a possibilidade de reintrodução de espécies no futuro. Um banco de sementes armazena material vegetal para conservação e investigação, exigindo procedimentos rigorosos: recolha no momento certo de maturação, seleção de sementes saudáveis, limpeza, secagem adequada e armazenamento em condições controladas de temperatura e humidade, entre outras particularidades. Algumas espécies, possuem sementes recalcitrantes, não tolerando a secagem intensa, o que torna a sua conservação particularmente exigente.

Ao cruzar ciência e arte, esta exposição dedicada à deriva das sementes convida a desacelerar o olhar e a observar e escutar o mundo natural, revelando como uma semente, tão pequena e aparentemente frágil, guarda em si a força silenciosa capaz de regenerar ecossistemas naturais, podendo ser constituídos por espécimes que atingem várias toneladas. As sementes lembram-nos que o futuro começa muitas vezes de forma discreta, transportado pelo vento, guardado num invólucro leve, à espera das condições ideais para germinar.

Obrigada a Sofia Arez por esta extraordinária exposição e a todos os que contribuíram para a sua realização.

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