READ
In-Finite
Diogo Teixeira, 2011

In the latest work of Sofia Arez a pendulous movement is drawn between visible and invisible, security and freedom, place and space, finite and infinite. In this movement the visual relationship is more than a registration of light stimuli and becomes a selective process in which environmental stimuli are organized into structures that provide meaningful signals flowing to other organs.
On one side rises the order in which are distributed symbolic elements in coexistence relations, fragments of nature contained in an instantaneous configuration, an indication of stability, a cosmogony of spontaneous generation, which refers to human figures in symbiosis with the elements. Macroscopic cells that suggest new forms when interconnected.
On the other, direction vectors and the variable time. Space as mobiles intersection where the horizon appears as a place of all possibilities. Open windows on landscapes that the light of experience makes interior, wind, movement, co-motion.
The sensible reality of the landscape is rooted in the factual reality of the environment, the surroundings, becoming a source of meaning of the media. A sense emerged in a deeper dialectical look into the represented surfaces.
The water is a mirror reflecting the image cast on the image of the world, we are better there where we are not, but where we truly are, conscious, without complexes. We watch ourselves, observe the world, understand ourselves better and understand ourselves in it because we belong to it. We approach a little further, a vertigo invades our bodies, we want to dive, to follow the continuous movement of water, the other being, of becoming universe.
This body of water, a key element in the composition of the landscape, try us this dialectic of appropriation and creative identity, and, after penetration through a narrow door and well hidden, invites us to the inner journey as an individual whole arose an understanding shared one sentiment, one movement of the universe. Suddenly our adventure inspires a new direction, taking part in this movement without moving, change without changing thing, event first and foremost.

 

 

No trabalho mais recente de Sofia Arez desenha-se um movimento pendular entre o visível e invisível, a segurança e a liberdade, o lugar e o espaço, finito e infinito. Neste movimento a relação visual é mais do que um registo de estímulos de luz e torna-se um processo selectivo em que os estímulos ambientais são organizados em estruturas fluentes que fornecem sinais significativos aos restantes orgãos.
De um lado emerge a ordem segundo a qual são distribuidos elementos simbólicos em relações de coexistência, fragmentos da natureza contidos numa configuração instantânea, uma indicação de estabilidade, uma cosmogonia de geração espontânea que faz alusão a figuras humanas em simbiose com elementos da natureza. Células macroscópicas que quando se interligam sugerem novas formas. 
Do outro, vectores de direcção e a variável tempo. O espaço como cruzamento de móveis onde o horizonte surge como lugar de todas as possibilidades. Janelas sobre paisagens abertas que a luz da experiência faz interiores, vento, movimento, co-moção.
A realidade sensível da paisagem está enraizada na realidade factual do ambiente, da envolvente, tornando-se esta fonte de sentido do meio. Um sentido dialéctico surgido num olhar mais profundo sobre as superfícies representadas. 
O rio é um espelho, reflectindo a imagem fundida na imagem do mundo, vemo-nos melhor aí, onde não estamos mas onde estamos verdadeiramente, conscientes, sem complexos, observamo-nos, observamos o mundo, compreendemo-nos melhor e compreendomo-nos nele pois pertencemos-lhe. Aproximamo-nos ainda um pouco, uma vertigem invade-nos o corpo, temos vontade de mergulhar, de seguir o movimento contínuo da água, de ser outro, de nos tornarmos universo.
Este espelho de água, elemento fundamental na composição da paisagem, experimenta-nos essa dialéctica criativa de apropriação e identidade, e, depois da penetração por uma porta estreita e bem escondida, convida-nos à viagem interior como se um todo individual surgisse numa compreensão partilhada, um só sentimento, um só movimento do universo. De repente a nossa aventura inspira um novo sentido, participando neste movimento sem móvel, mudança sem coisa que muda, evento antes de mais nada.